Você já sentiu medo?

     Acho que é típico do ser humano sentir medo. Medo do desconhecido, medo do que conhecemos, medo de nós mesmos.

Um dia ela chegou e me disse: – Tenho medo e você? Eu queria fazer com que ela não tivesse medo, que ela confiasse nela mesma, porque eu confiava, eu acreditava nela. Mas ela tinha medo de tudo, medo de fazer as coisas que gosta, medo de se expor e passar por ridícula, medo de fazer algo errado, medo de que não gostassem dela, medo de que não soubesse fazer algo que todos os outros sabiam. medo de ser rejeitada, de ser excluída, de não se encaixar .  .  . Medo de agarrar as coisas porque a qualquer momento essas coisas simplesmente acabariam, e o que ela iria fazer depois? E quando todas as pessoas que ela se apegou fossem embora? Ela mergulharia na escuridão de novo, e ela sabia disso, ela sabia que no exato momento em que os raios de sol fossem embora ela mergulharia no fundo do poço de novo. E como uma pessoa pode viver sem a luz? Sem a claridade? Sem os raios para se esquentar?

Ela acreditava que, ela não poderia ficar sozinha porque ela não era nada sem ninguém, que ela nunca conseguiria sozinha, que sem luz não havia vida e o pior, ela acreditava que nunca seria boa o suficiente para a sociedade, para os amigos, os colegas, os professores, os familiares. Como ela poderia confiar em si mesma se as pessoas de quem ela mais precisava viravam as costas para ela? Como ela poderia acreditar que podia tudo que quisesse, se quando ela se levantava para opinar era apedrejada? Como ela se acharia capaz de algo se tudo que sabiam fazer era diminuí-la?

Isso doía, eu sei o quanto doía e ela se sentia tão impotente, tão fraca, tão pouco . . . Desesperadamente ela arrumou um jeito de se sentir melhor quanto a isso. Ela criou seu mundo onde a tristeza, solidão e dor faziam parte das regras, onde a impotência que sentia em seu peito era o que a prendia ali, mas ela não queria sair, ela não quer. Ela ficou surpresa ao ver que existiam outras pessoas lá, compartilhando as mesmas sensações, sim . . . aquelas sensações que a acompanhavam para onde quer que elas fossem.

Era tão injusto! Mas ela se acostumou .  .  . por um tempo.

Quando ela menos esperava o incomodo voltou, a dor, a tristeza, aquelas sensações e mais que depressa ela tinha que arrumar um jeito de conseguir sair daquilo, porque ela não aguentaria mais, seu corpo não aguentava mais, a sua alma já estava tão estilhaçada que se aquilo voltasse ela se acabaria de vez. O único modo era achar uma maneira de cobrir aquela dor com outra dor, com uma dor mais forte.

Só uma dor mais forte é capaz de acabar com outra.

E se sentindo culpada e tão fraca, ela achou a dor que acabaria com a anterior, se surpreendeu ao perceber que era mais fácil do que pensava, era tão fácil, tão simples. Ela tinha que realmente sentir aquela dor, na pele, no corpo, no coração, na alma. E ela conseguiu.

Hoje ela vive assim, com essa dor enterrada em seu peito, mas a máscara dela é perfeita, ninguém .  .  . nem mesmo os mais íntimos, aqueles que juravam que a conheciam melhor do que todos os outros, aqueles que diziam que sabiam o que estava acontecendo com ela só de olhar. Eles mentiram, todos eles mentiram e mentem ainda hoje. Ela parece tão bem, sorri, brinca, faz tudo que qualquer outra garota de sua idade faz, mas ninguém sabe que quando o dia acaba, o céu escurece e ela vai pra casa, a dor está lá a esperando e ela se afunda nela novamente. Sem nenhuma mínima vontade de sair, ela pertence a escuridão agora.

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